Pandemia
Novo ano letivo, velhas adaptações
Com o início das aulas na rede municipal, pais e professores relatam as dificuldades
O ano letivo de 2021 na rede municipal de ensino teve início há uma semana com os mesmos empasses do ano anterior. Sem a realização de aulas presenciais, por conta da pandemia, o ensino remoto seguirá sendo adotado por tempo indeterminado, este que se tornou um desafio a alunos, familiares e professores, que ainda relatam um longo processo de adaptação em andamento.
Entre os diversos desafios para acompanhar as aulas virtuais, o período revelou uma falta de motivação dos jovens nos estudos e também a carência de novos conteúdos propostos. A recepcionista Carolina Pereira, de 36 anos, relata preocupação com o futuro da filha, estudante do 9º ano de uma escola municipal. “O ano passado foi bem difícil em questão de adaptação de conteúdo, pois é tudo mais restrito. Para um aluno do 8º aluno, que está mais focado no ensino médio e já sabe os desafios que vem pela frente, essa falta do conteúdo novo foi difícil. Ela não teve acesso conforme teria no presencial. Além da dificuldade de se concentrar, era apenas naquele momento de fazer a atividade, depois disso ela não fica, pois não tem um professor junto fazendo ela pensar”, conta.
O caso se repete também nos primeiros anos da educação básica, onde os alunos estão em processo de alfabetização. “O ensino remoto é muito complicado para alunos dos anos iniciais, principalmente aqueles que estão no pré. Primeira série, é feita a alfabetização e eles precisam de aula, da presença do professor e de novas matérias. Infelizmente ano passado, como meu filho estava no primeiro ano, não teve muito aprendizado. Existem vários pais de colegas dele que relatam que as crianças não estão sabendo escrever e nem ler, e não sabem o que fazer diante dessas dificuldades”, relata a empresária Vânia Redmer, 37 anos.
Para Carolina, a completa integração a esse “novo normal” na educação ainda precisará de um tempo. “Eu como mãe não tenho muito o que questionar porque entendo que está sendo feito o que é possível, acredito que para os professores foi tudo tão complicado quanto para os pais e alunos. Acho que não tem como querermos mais do que está sendo feito, essa adaptação é gradual, até que os professores estejam preparados e que a educação básica esteja adaptada para um ensino remoto 100% vai levar muito tempo”.
Professores relatam dificuldades
O processo de trocar o quadro pela tela do computador e a sala de aula por um cômodo da casa não foi fácil para os alunos, como também não foi para os professores. De acordo com a professora de Biologia, Andressa Cardoso, a mudança causou temor e uma série de adaptações para que as aulas on-line fossem tão produtivas quanto as presenciais, além de exigir uma remodelação tanto no material de trabalho, quanto na rotina do profissional. “Inicialmente foi muito difícil, nós tivemos que procurar instrumentos pedagógicos diversificados para poder ir ao encontro da necessidade do aluno. Os professores tinham seu material de ensino sucateado, muitos não tinham computador adequado para o ensino totalmente remoto, logo, precisaram investir nesse campo. Outro ponto foi a adaptação a rotina da casa, e aliar tudo isso ao trabalho foi uma dificuldade”, comenta.
A professora de História, Angélica Couto, conta que divide o material de trabalho com o marido, e que é a realidade de muitos docentes. “Estamos nos adaptando como podemos, lembrando que não temos nenhum suporte para trabalhar. Eu por exemplo, tenho que dividir meu notebook com meu marido que também é professor, porque o custo de um equipamento desses é altíssimo”.
As professoras também pontuam novas atribuições e papéis aos docentes, em diferentes modalidades da educação básica, vindas com a pandemia e o ensino remoto. O suporte da mudança foi a internet, mas o episódio não se restringiu a uma revolução digital. Houve uma transformação comportamental dos professores para não perder a conexão com os alunos e manter a aprendizagem. “Neste ano, conseguimos aprimorar as nossas metodologias, estamos utilizando outros métodos de contato com os alunos para tentar uma maior interatividade, utilizando por exemplo o Telegram (serviço de mensagens instantâneas) para tentar fazer com que esse aluno fique mais próximo do professor e se sinta acolhido pela comunidade escolar”, conta a professora de Biologia.
Apontado como um dos contras, o fato do trabalho em casa representa uma carga horária maior devido o tempo gasto na correção de material, da necessidade da explicação separadamente a cada aluno e de um modo diferente de ministrar as aulas, como estavam acostumados a lecionar. A professora de História conta que ouve relatos de colegas que se sentem sobrecarregados, “tenho trocado mensagens com colegas que já começaram o ano cansadas”.
Mudanças prometem melhorias na aprendizagem
A programação do calendário letivo da rede municipal de ensino que iniciou no dia 15 deste mês segue até 21 de dezembro, com um período de recesso escolar durante o inverno, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto. De acordo com a secretária de Educação e Desporto, Adriane Silveira, a programação estava prevista no plano de volta às aulas 2021 em pandemia, que foi construído tendo como base: gestão das medidas sanitárias, gestão pedagógica, gestão da comunicação e gestão de pessoas. “Também optou-se pelo ensino remoto, considerando o momento em que estamos vivendo”, explicou.
Segundo a SMED desde o retorno das atividades, há um trabalho na formação de professores, equipe diretiva e coordenação pedagógica das escolas para possibilitar o ensino remoto por meio do uso de plataformas. De acordo com nota enviada pela Secretaria, alguns professores já tinham conhecimento e utilizavam a plataforma para ministrar aulas, porém outros educadores estão em processo de formação e outros ainda entrarão em formação. Em razão disso, algumas escolas ainda não oferecem o ensino remoto, mas estão perto da implantação.
A novidade fica por conta de uma nova plataforma “Google para a Educação”, que é justamente aquela em que o município trabalha na capacitação dos profissionais. Essa plataforma tem como características a organização da vida escolar do aluno, do trabalho docente e pedagógico dos professores, além de fazer a acomodação dos estudantes nas salas virtuais e possibilitar que o professor faça o acompanhamento da aprendizagem destes.
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